Como definir os preços da ementa: métodos e erros comuns
Pôr o preço que 'parece razoável' ou copiar a concorrência são os métodos mais usados e os mais perigosos. Estes são os métodos que funcionam de verdade.
Definir os preços de uma ementa é uma das decisões mais importantes que um restaurante toma, e a maioria toma-a sem dados. O resultado é uma ementa onde alguns pratos são rentáveis por acaso e outros geram perdas sem que ninguém saiba.
O método do food cost objetivo
É o método mais comum e mais estruturado:
Preço de venda = Custo da dose ÷ % de food cost objetivo
Exemplo: se a ficha técnica de custos de um prato dá 3,80 € de custo e quer um food cost de 32%, o preço mínimo de venda é 3,80 ÷ 0,32 = 11,88 €. Arredonda para 12 € ou 11,90 €.
Este método garante que nunca vende abaixo do seu limiar de rentabilidade, mas não tem em conta o que o mercado aguenta.
O erro do food cost percentual uniforme
Aplicar o mesmo food cost objetivo a todos os pratos é um erro habitual. Um bife da vazia com custo de 9 € e preço de venda de 27 € tem um food cost de 33% e uma margem bruta de 18 €. Uma salada com custo de 1,20 € e preço de 5 € tem um food cost de 24% e uma margem de 3,80 €.
O restaurante ganha mais dinheiro com o bife, mesmo com pior food cost percentual. A margem absoluta por prato é o que paga a renda, não a percentagem.
O fator perceção de valor
O preço que o cliente está disposto a pagar não depende só do custo: depende da perceção de valor que o restaurante transmite. O mesmo prato pode vender-se a 14 € num espaço informal e a 22 € num espaço cuidado com serviço de sala.
O preço deve ser consistente com o ambiente, a apresentação, o serviço e a clientela-alvo. Um preço demasiado baixo num contexto de alta perceção de valor gera desconfiança.
O método da concorrência: útil mas insuficiente
Consultar os preços da concorrência é necessário para perceber o contexto de mercado. Mas copiar preços sem conhecer a sua estrutura de custos é perigoso: se o seu concorrente tem melhores condições com os fornecedores, mais volume ou uma renda mais baixa, pode manter preços que, no seu caso, geram perdas.
Os preços psicológicos na restauração
A investigação em restauração mostra que: - Os preços terminados em 9 (12,90 €) são percebidos como mais baratos, úteis em conceitos de preço-valor. - Os preços redondos (13 €) transmitem confiança e qualidade, melhores na restauração de nível médio-alto. - Eliminar o símbolo € reduz a 'dor de pagar' e pode aumentar o ticket médio em 5-8%. - Ancorar o preço mais alto na ementa sobe a perceção de valor de todos os outros.
Quando e como subir os preços
A inflação dos últimos anos obrigou muitos restaurantes a atualizar as ementas. As chaves para o fazer sem perder clientes:
- Suba de forma faseada, não toda a ementa de uma vez. - Aproveite a mudança de estação ou a renovação da ementa para introduzir os novos preços. - Melhore a apresentação ou a descrição do prato quando sobe o preço: a perceção de valor deve justificar a mudança. - Nunca suba sem atualizar primeiro a ficha técnica. Às vezes, a subida de preço que parecia urgente não era assim tão necessária.
Crie as fichas técnicas e calcule o custo automaticamente
Ligue ingredientes a pratos, atualize os preços dos fornecedores e o Kitchen Stocker recalcula o custo no momento.
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